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“O dia em que os Leitoas perderam a eleição na Câmara de Timon”. O filme

Saiba como foi nos bastidores o dia na véspera da eleição do voto de Adão Dourado que decidiu o pleito

O voto decisivo para eleição de Helber Guimarães na Presidência da Câmara de Timon não foi o do último vereador inscrito para votar, Ramon Junior (PP), mas o primeiro, de Adão Dourado (PR), por isso, que ao declarar: “Voto em Democracia e Respeito”, Adão foi ovacionado pelos vereadores no plenário e simpatizantes da oposição na galeria, corredores e nas dependências do Poder Legislativo.

Por trás do voto decisivo de Adão Dourado existem nuances de bastidores dignas de um roteiro para filme de cinema com o título já escolhido pelos atores protagonistas: Sequestro e Resgate: “O Dia em que os Leitoas perderam a eleição na Câmara”.

O dia decisivo de toda eleição é na véspera, isso todos que concorrem sabem. No caso da eleição para presidente não foi diferente.

Mas essa história começa há quase um ano atrás, em fevereiro de 2018, quando os Leitoas perderam a maioria absoluta na Câmara e a possibilidade de se manterem no controle administrativo, financeiro e político, a partir deste ano.

Com a formação do G-12, com sete vereadores de oposição e cinco dissidentes que deixaram a base para ganhar a eleição da Câmara, o governo Leitoa passou a adotar todas as estratégias possíveis e perseguir o objetivo de não deixar a oposição ganhar o pleito. Foi feito de tudo, de fevereiro para cá com  esse intuito, algumas estratégias de conhecimento publico, outras tratadas somente nos bastidores da política, e diga-se de passagem com nuances de sujeira e traições, mas como os políticos mesmo dizem “fazem parte do jogo”.

O maior objetivo da situação era cooptar dois dos vereadores do G-12 e dentro de várias articulações, com oferecimento de vantagens pessoais, públicas, bens e serviços, em recente episódio um dos vereadores cedeu às intervenções dos governistas e resolveu aderir ao grupo do governo na Câmara sagrando-se candidato à presidente. O desfecho dessa história todos estão “careca de saber”.

Mas faltava mais um para o objetivo ser concluído e o projeto de permanência e manutenção do poder e controle do legislativo pela base governista ainda não estava finalmente acertado.

Foi na véspera, após inúmeras conversas e acordos para os convencimentos que chegaram até o dia 16, anteontem, quando a oposição, a partir da 11hs começou a sentir falta do vereador Adão Dourado. Celular desligado, sem que ninguém do grupo soubesse o seu paradeiro.

A partir de então, começou a funcionar o “serviço de inteligência da oposição” em busca de informações para saber onde estava Adão Dourado, mas já se sabia que sua família havia sido “convencida” pela base do governo de que seu voto era importante para o controle e permanência do poder na Câmara pelos governistas.

Não vamos entrar em detalhes, pois como dissemos, toda história merece ser narrada em filme, mas dentro dela existe cenas e capítulos dignos de segurar qualquer telespectador na cadeira da sala ou nos bancos dos cinemas.

Depois de muitas artimanhas produzidas pelos vereadores de oposição e seus aliados no processo de vencer a eleição da Câmara, por volta das 18hs, de quinta-feira, descobriu-se que Adão estava num apartamento em condomínio fechado, em Teresina, no Bairro Saci. Portanto, a missão seria resgatá-lo e trazê-lo de volta para o seio da oposição.

Segundo informações do “serviço de inteligência”, Adão seria retirado do condomínio, minutos antes da eleição de ontem, 17, por uma força tarefa que o levaria escoltado até o plenário, onde ele daria o voto na chapa do governo e novamente seria escoltado e protegido por essa força tarefa institucional.

Antes disso, porém, por volta da 19hs da quinta-feira, foi feito o resgate do vereador Adão Dourado pelos vereadores oposicionistas e pelo serviço de inteligência da oposição.

Mas apesar do resgaste, a oposição ainda temia pelo voto de Adão, pois todo cenário de “convencimento” envolvia vários sentimentos de pressão ao vereador, entre eles, o de que parte de sua família estava convencida de que seu voto deveria ser no governo e não oposição.

Os momentos de intervalo ou dos capítulos que se seguiram nessa história até a hora do voto de Adão no plenário ontem, foram de frustração, desânimo e desespero de alguns vereadores que não sabiam o que poderia ocorrer. A tensão aumentava quando a hora da votação chegava. Vereadores vararam a madrugada com conversas e debates com o vereador Adão no sentido de garantir seu voto favorável, mas até a hora do voto pairava uma grande dúvida a todos aqueles que sabiam de tudo que estava acontecendo nos bastidores.

Adão Dourado entrou no plenário com acompanhado da força tarefa dos vereadores e amigos de oposição, que sabiam dos riscos e ameaças que estavam preparadas para ele. Até o momento antes de declarar seu voto, foram muitas conversas e movimentos de bastidores de vereadores governistas pressionando os familiares de Adão para que eles o convencessem mais uma vez a votar na chapa do governo.

Minutos antes de subir à tribuna para declarar seu voto, um dos vereadores da base gritou: “se abstém”, mas Adão Dourado com a voz embargada, após o apelo da presidente Socorro Waquim: “vota só na chapa”, Adão  disparou:  “Eu voto Democracia e Respeito”, para delírio de todos.

The End.

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