Youssef diz que UTC pagou propina no MA

spot_img
Compartilhe:

alberto-yousef  O doleiro Alberto Youssef afirmou em depoimento prestado em novembro do ano passado à Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria causado desvios da Petrobras, que em 2013 a empresa UTC/Constran pagou R$ 10 milhões em “comissão” para “adiantar” o pagamento de um precatório.

Segundo o doleiro, dessa quantia, R$ 3 milhões teriam sido repassados para o então chefe da Casa Civil do Maranhão, João Abreu, e R$ 4 milhões ficaram com o próprio Youssef. No depoimento, ele não informou o que foi feito com os outros R$ 3 milhões pagos pela UTC/Constran.

Em nota, a UTC/Constran negou ter sido beneficiada com “antecipação de pagamento no Maranhão”. De acordo com a nota, “com o propósito de encerrar uma discussão e evitar mais protelamento, a empresa concordou com uma proposta apresentada pelo gestor público” (leia íntegra da nota ao final desta reportagem). João Abreu não tinha sido localizado até a última atualização desta reportagem.

De acordo com Youssef, Abreu recebeu o pagamento em três parcelas. Uma delas, no valor de R$ 1,4 milhão, foi paga pelo próprio doleiro no dia em foi preso pela PF em março do ano passado, quando foi deflagrada a Lava Jato.

O doleiro afirmou que outras duas parcelas no valor de R$ 800 mil foram entregues a Abreu em janeiro e fevereiro do ano passado por Adarico Negromonte e Rafael Ângulo, apontados pela PF como emissários de Youssef.

Youssef afirmou ainda que o acordo não foi ilegal, mas sim, um “gesto de boa-vontade” de Abreu, já que, segundo o doleiro, “era interesse do Estado quitar o precatório”. Questionado se o chefe da Casa Civil teria “autoridade” para realizar essa operação, Youssef disse não ter conhecimento se a governadora do Maranhão à época, Roseana Sarney, foi consultada sobre o assunto.

O depoimento foi disponibilizado pelo juiz federal Sérgio Moro nesta terça-feira (27) no andamento processual da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de pagamentos de propinas e lavagem de dinheiro, que segundo o Ministério Público Federal (MPF), teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões e causou desvio de recursos da Petrobras. Youssef é apontado pelo PF e o MPF como chefe do esquema.

O magistrado também autorizou o compartilhamento de “provas”, que segundo ele, “conferem alguma credibilidade” ao depoimento de Youssef, entre elas emails trocados pela UTC/Constran e o doleiro e relatórios da PF sobre o caso.

Precatórios são títulos de dívidas que o governo emite para pagar quem ganha na Justiça processos contra o poder público. No caso da UTC/Constran, o valor do precatório era de R$ 113 milhões. Segundo Youssef, após a “comissão”, foi firmado um acordo judicial entre a empresa e o Estado do Maranhão para o pagamento do precatório em 24 parcelas.

No depoimento, Youssef afirmou ainda ter conhecimento de que o Banespa (atual Santander) fez um acordo com o governo do Maranhão “nos mesmos moldes” da UTC/Constran. O doleiro, no entanto, disse não saber se houve pagamento de comissões no caso.

Caso
Em agosto do ano passado, a ex-contadora de Youssef, Meire Poza já havia confirmado em depoimento à PF que Youssef pagou propina ao governo do Maranhão, em troca do recebimento de precatórios para a UTC/Constran.

De acordo com Poza, após o pagamento da propina, que teria chegado a R$ 6 milhões, o governo do Maranhão começou a liberar os recursos dos precatórios para a empresa. Pela intermediação, Youssef teria recebido, segundo a contadora, cerca de R$ 12 milhões.

Nota da UTC
Leia abaixo a nota da UTC/Constran:

NOTA A IMPRENSA

A Constran não foi beneficiada por nenhuma antecipação de pagamento no Maranhão. Como primeira na fila dos precatórios do Estado, teria direito a receber o valor integral da dívida à vista. Dívida essa gerada por obras rodoviárias executadas nos anos 80. Em 1993, a Constran entrou na Justiça. Em 2010, a dívida do governo virou um precatório por decisão do Poder Judiciário. Em 2013,  quase três décadas após a realização da obra, e quando a Constran era a primeira da fila dos precatórios, o governo do Estado do Maranhão propôs pagar o valor devido parcelado em 24 meses, sem juros e sem correção. Com o propósito de encerrar uma discussão e evitar mais proletamento, a empresa concordou com uma proposta apresentada pelo gestor público. Como é de conhecimento público, é impossível furar a fila do pagamento dos precatórios.

 

Edição: Veja Timon

Via: G1

Compartilhe:
Veja Timonhttps://www.vejatimon.com
O Veja Timon foi desenvolvido para suprir os timonenses com informações de um modo geral, onde a política não venha ser o foco central. Um site diversificado e imparcial, trabalhamos para levar um conteúdo de relevância para cidade. Veja Timon - Junto Com o Povo

Talvez você queira ler também

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Relacionados

- Propaganda -spot_img
- Propaganda -spot_img

Últimas

Em evento especial, Câmara de Timon debate sobre suicídio e violência contra a mulher

O evento foi organizado pela vereadora petista Da Luz do 7 Estrelas. Nesta terça-feira, 26, foi realizada na Câmara Municipal de Timon um evento para...

Adolescentes da Funac participarão de ação social na Casa do Idoso em Timon

Adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa no Centro Socioeducativo de Semiliberdade de Timon, unidade da Fundação da Criança e do Adolescente (Funac), participarão, nesta...

Compartilhamento de mensagens de WhatsApp pode gerar dever de indenização  

Advogado explica que há a garantia ao sigilo das comunicações pelo artigo 5º da Constituição, além do aplicativo proporcionar a segurança das mensagens...