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Aos 104 anos, “Manel Vaqueiro” é o mais novo cidadão timonense. Justíssima homenagem

O titulo ao retirante, que veio do Ceará para fazer história no Maranhão e Timon, foi requerido pela vereadora Professora Socorro

Manoel França ou Manel Vaqueiro, recebendo o título de cidadão de Timon aos 104 anos

Sempre que se anuncia outorga de título de cidadão a uma personalidade seja ela qual for, empresário, político, profissional liberal ou outras categorias, vem a pergunta da população: “o que ele fez pela nossa cidade?”.

O questionamento está correto. É necessário que a população saiba que o homenageado tenha serviços prestados ao município para se integrar como cidadão igual aos nativos, que na maioria das vezes, defendem o patrimônio onde moram e onde nasceram.

No caso dos políticos, a maioria das vezes os títulos são questionáveis, pois existem as velhas estratégias de lançar mão desse argumento  – da maior honraria da cidade para que o político-, com pouco serviço prestado ou quase nada, para que se tornem cidadãos por conta de compromissos políticos assumidos de futuros apoios e em busca do voto da população. Nesses casos, o título por si só se justificaria para evitar os dissabores na hora de bater na porta e pedir o voto e receber um não do cidadão e do eleitor nativo.

A Câmara de Timon realizou na última quinta-feira, 22, sessão solene para agraciar algumas personalidades nascidas em outras cidades do Maranhão e até em outros estados, tornando-os, a partir de então, cidadãos e cidadãs timonenses.

Entre os homenageados receberam a honraria, o senador piauiense Marcelo Castro, jornalista Pedro Alcântara Nascimento, Manoel Alves de França, Pastor José de Ribamar Soares, Francisca Rodrigues Lima e o casal Maurício Alves e Márcia Andréa. Todas as homenagens consideradas como justas pelos trabalhos realizados de cada um em seus setores de atuações, mas é a vida, a luta e os serviços prestados ao homenageado Manoel Alves de França, de 104 anos de idade, que passamos a destacar como a homenagem mais justa proferida a uma personalidade e pelo seu trabalho prestado para Timon e para o Maranhão.

Manoel Alves de França foi o primeiro a receber a homenagem. Conhecido como Manoel Vaqueiro, ele foi homenageado pela vereadora professora Socorro Waquim. Em seu lugar, o filho Manoel Marreca, funcionário dos Correios de Timon, agradeceu a homenagem prestada pela Câmara ao seu pai e destacou que, “esse é um reconhecimento de Timon a este homem que veio retirante da seca do Ceará e que aqui ajudou a construir este município”.

O relato da vida do novo cidadão timonense publicado no blogdoribinha foi enviado pela família:

MANOEL ALVES DE FRANÇA, nascido na localidade Luanda no Pé da Serra do Araripe, Município de Crato CE, é um retirante do sertão cearense que em sua busca por melhoria de vida veio ao maranhão como desbravador e precursor do desenvolvimento deste estado e em especial da cidade de Timon, cidade por ele escolhida para formação e construção da família.

Ao completar 15 anos ainda no Crato CE, foi para Fortaleza onde se alistou no exército como voluntário, para participar da revolta da Princesa na Paraíba, movimento revolucionário entre João Pessoa e o Coronel Zé Pereira, chegando na cidade de Cajazeiras, na Paraíba, receberam a notícia que o então presidente do estado João Pessoa teria sido assassinado por João Dantas, um de seus desafetos, na Cidade do Recife, em Pernambuco, então a viagem não tinha mais sentido.

Deixa o exército juntamente com um amigo e vai para Nazaré trabalhar em uma barragem onde aprende logo o ofício de motorista que lhe abre novas portas para o mundo, após alguns meses de trabalho na barragem aceitou o trabalho de ajudante de caminhão e passou a viajar, sempre com seu chapéu de couro o que lhe valeu o apelido de “MANEL VAQUEIRO”, pelo qual é conhecido até hoje, comprando e vendendo mercadorias entre as cidades de Barbalha, Iguatu e Picos, Piaui.

Após várias viagens a Picos recebe outra proposta de emprego desta feita na cidade de São João dos Patos, a então Coronel da cidade maranhense, D. Noca, que tinha um caminhão e no qual fora trabalhar levando produtos da cidade e região comprando para Floriano e trazendo mercadorias industrializadas.

Nesta cidade conheceu D. Maria que trabalhava em uma pensão, com quem viria a se casar e construir família. Após alguns anos de trabalho com a D. Noca, foi a São Paulo, buscar um caminhão novo do seu compadre o empresário da cidade de Brejo Paraibano o senhor João Furtado, no qual passou a trabalhar como motorista na mesma atividade de compra e venda, porém desta feita nas cidades de Paraibano, Colinas e Mirador, no Maranhão.

Um ponto a ser destacado dessa etapa de vida é que em uma de suas viagens partindo da cidade Mirador, levou juntamente com sua carga o jovem Edson Lobão, que viajava para estudar em Brasília, indo na carroceria do caminhão de até Floriano no Piauí. Este jovem, passado o tempo tornou-se uma das grandes figuras políticas do Maranhão e do Brasil.

Após vários anos de trabalho percebeu a necessidade de vir morar mais perto da capital piauiense, para os filhos continuarem os estudos e escolheu Timon para se estabelecer. Reuniu toda suas economias, comprou um caminhão tanque e ficou transportando combustível para os postos Pajeú do empresário José Lira depois vendido para o Sr. Manoel Fortuna (hoje Posto Fortuna) e Posto Piauí, do empresário Nonato do Posto, hoje administrado por seu filho Artur.

Homem destemido, pai de 10 filhos, que conhece no trabalho a força motriz de toda sua trajetória, perseverante em todas suas atividades, ajudou o desenvolvimento da cidade de Timon desde os tempos de vila com poucas casas até a cidade do porte que se encontra hoje.

Diante do relato e da história de vida de Manoel França é que consideramos uma justa homenagem prestada pela Câmara através de solicitação e requerimento da vereadora Professora Socorro, pois o homem que hoje tem completados 104 anos comemorou a data da homenagem como vem comemorando a cada dia seu nascimento, pois ele tem parte no desenvolvimento desta cidade em tempos difíceis onde poucos tinham como atributo somente a força e vontade de trabalhar para criar a família e ao mesmo tempo contribuir com o crescimento da cidade.

Justíssima homenagem.

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